Vitória - Jovem portador de trissomia 21

Ficha técnica da notícia
Título: Vitória - Jovem portador de trissomia 21
Data de publicação: 2010-04-08 11:58:00
Fonte: Diário "As Beiras", publicado em 08-04-2010
Autor: Olhar21.com

Sebastião já tem Cartão de Cidadão

 

Um rapaz de oito anos de idade, residente na Lousã e portador de trissomia 21, recebeu ontem o seu Cartão de Cidadão. Uma conquista partilhada por toda a família.


Foi preciso esperar alguns meses até que Sebastião Shubert aprendesse a escrever o seu primeiro e último nome, condição fundamental para validar o Cartão de Cidadão. Alcançado o objectivo aos oito anos de idade, o grande dia chegou ontem quando recebeu o documento das mãos de um funcionário da Loja do Cidadão de Coimbra.
A mãe, o irmão e um primo acompanharam-no num dos momentos mais simbólicos da sua vida. A mãe, Maria da Luz Nogueira, sublinha que foi “importante para a família, como objectivo comum concretizado por um dos seus membros”, acrescentando que “não é apenas um acto simbólico porque os objectivos traçados não se esgotam aqui”.
De acordo com a encarregada de educação, o Cartão de Cidadão “é um elemento necessário para poder viajar de avião quando vai à Alemanha visitar os avós, em vez de aparecer, como no seu primeiro e único BI, “não sabe assinar”.

Senhor do seu nariz

Morador na Lousã, o rapaz frequenta o 2.º ano da EB1 do Agrupamento de Escolas da Lousã. Descrito pela mãe como “temperamental, muito meigo, mas teimoso e senhor do seu nariz”, a alteração genética de que é portador (trissomia 21) não o impede de estar concentrado a ver as suas séries e filmes preferidos, para além de brincar ao ar livre com os outros meninos e ir à piscina, o seu hobby favorito.
Já praticou râguebi no clube da Lousã, modalidade a que deverá regressar assim que resolver o risco de “instabilidade atlanto-axial” que lhe foi diagnosticada numa recente consulta de ortopedia.
Ultrapassadas, ao longo dos anos, algumas situações congénitas geralmente associadas à trissomia 21, “o Sebastião é uma criança saudável”, congratula-se a família, empenhada em dotar o jovem de maior autonomia e independência. Nesta perspectiva, a escola é fundamental. 
Por isso, Maria da Luz Nogueira – membro da comissão de pais e encarregados de educação dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e da Associação Olhar 21, com sede em Coimbra – luta com todas as suas forças para que o Ministério da Educação não retire as três últimas auxiliares pedagógicas com especialização que exercem funções nos dois agrupamentos de escolas do concelho.
Como o aluno “não possui linguagem expressiva verbal ou escrita que lhe permitam sustentar esse nível de comunicação”, explica a mãe, “um simples caderno na mochila serve para transmitir aquilo que de mais relevante aconteceu na escola ou em casa”. 
A progenitora não tem dúvidas de que “o momento que resultou na assinatura do nome por uma criança portadora de atraso de desenvolvimento global provocado por anomalia congénita, trissomia 21, foi o resultado de anos de interacção e de trabalho em equipa promovido pela família e outras entidades responsáveis pelo desenvolvimento da criança, nem sempre momentos fáceis”.




Vitória - Jovem portador de trissomia 21