Triste notícia

Ficha técnica da notícia
Título: Triste notícia
Data de publicação: 2010-03-29 11:51:00
Fonte: http://jornal.publico.pt/noticia/20-03-2010/ha-um-futuro-sem-trissomia-21ha-um-futuro-sem-trissomia-21-19021278.htm
Autor: Olhar21.com

Transcrevemos aqui um lamentável artigo publicado no Jornal o Público no dia 21 de Março de 2010, que vale essencialmente pelos comentários dos leitores:

 


 

"Há um futuro sem trissomia 21"

De acordo com um estudo britânico são mais de 70 por cento. As boas são que, apesar disto, nascem cada vez menos bebés com a doença. Os especialistas acreditam que há um futuro sem trissomia 21.Há boas e más notícias em relação à incidência de trissomia 21: as más são que há cada vez mais casos detectados em grávidas; as boas são que, apesar disto, nascem cada vez menos bebés com a doença. Os especialistas acreditam que há um futuro sem trissomia 21. Amanhã celebra-se o Dia Mundial dedicado a esta doença. Por Ana Machado

 


Francisca Prieto, Lisboa, Portugal. 27.03.2010 17:08  
Trissomia 21 não é evitável. lamento informar aos senhores que informam

Exmos Senhores do “Público” Abro a boca de espanto mediante o vosso artigo de 20 de Março onde se apresenta, de forma irresponsável, como boa notícia o facto de nascerem cada vez menos bebés com Trissomia 21. Suponho que seria uma excelente notícia avançar com uma qualquer novidade científica capaz de retirar o cromossoma extra aos fetos afectados de forma a que estes viessem a nascer sem complicações. Mas não é disso que estamos a falar. Estamos a receber como boa notícia o facto de a maior parte dos pais decidirem que não querem estes filhos e simplesmente acabarem com eles mesmo antes de nascerem. Tenho pena que aconteça, mas não tenho a veleidade de criticar. Limito-me a achar que dificilmente isto pode ser considerado uma boa notícia por quem quer que seja. A ideia é reforçada mais à frente quando se diz que “os especialistas acreditam que há futuro sem trissomia 21”. Se souberem de alguma novidade científica que me esteja a escapar, excelente. Se estão mais uma vez a falar de não dar a estas crianças a oportunidade de nascer, lamento, mas é uma péssima notícia. Literal e metaforicamente. O Dr. Luís Graça, Exmo Presidente do Colégio de Obstetrícia da Ordem dos Médicos (Super especialista, portanto), corrobora a boa notícia. Diz que os casos de nascimentos com T21 que aparecem são “casos de falta de conhecimento ou gravidezes escondidas. São basicamente mulheres que não são seguidas”. Pois segundo julgo saber, o próprio Dr. Luís Graça aconselha veementemente as grávidas com diagnóstico pré-natal a evitar os nascimentos. E talvez não saiba que há dezenas de grávidas com gestações perfeitamente normais, seguidas por especialistas, que pura e simplesmente querem ter os seus filhos e preferem não tomar conhecimento de eventuais complicações. Leio ainda que “cada vez vão nascer menos crianças com doenças que podem ser evitadas”. Lamento corrigir a Sra jornalista, mas a trissomia 21 não pode ser evitada. Nem antes nem depois do nascimento. Infelizmente ainda não foi descoberta a causa da Trissomia 21, muito menos forma de a evitar. Infelizmente os rastreios, ecografias, amniocenteses e afins limitam-se a diagnosticar e a tornar conhecido o inevitável – que o feto tem Trissomia 21. Sei do que estou a falar. Sou mãe de uma filha com Trissomia 21 que teve diagnóstico pré natal. Mãe de uma filha que já era filha quando chegou o resultado da amniocentese. E curiosamente tive de passar pela tortura de explicar inúmeras vezes, inclusive a clínicos que me seguiram, quase em tom de desculpa, porque é que ia ter esta filha, porque é que não optava por interromper a gravidez. Os exames de diagnóstico pré natal são importantes e devem ser feitos, mas é errado assumir que um resultado positivo é sinónimo de “criança a evitar”. Nunca me arrependi de não ter interrompido a minha gravidez. Muito pelo contrário. E, com todo o respeito que tenho por grávidas que por razões diversas tenham tomado uma opção diferente da minha, tenho pena que o tenham feito. Que tenham desistido dos seus filhos à primeira contrariedade e sem lhes darem qualquer hipótese. Assusta-me que os clínicos aconselhem e pressionem as mães a não terem estes bebés. Devem informá-las sobre as possíveis implicações, mas inibirem-se de emitir opiniões. Assusta-me que os media (e esta não é a primeira vez que vejo um texto deste tipo) apresentem o aborto como consequência inevitável de um resultado positivo. Numa consulta pré natal que fiz com o meu marido no Centro de Desenvolvimento Infantil DIFERENÇAS, ouvi palavras sábias do Dr. Miguel Palha que nunca mais esqueci - "Ainda bem que foram para a frente com esta gravidez. Cada filho é único e irrepetível". E este "único e irrepetível" é uma música que baila na minha cabeça na nossa vida quotidiana: sempre que falo com a Francisca e ela me devolve uma gargalhada, sempre que olho para ela a dormir e a acho igual ao seu irmão Manel na mesma idade, sempre que a vejo embrulhada com os manos numa qualquer brincadeira asneirenta e sempre que a aconchego nos meus braços para lhe garantir que a amo profundamente. Tenho hoje, como já tinha antes dela nascer, a profunda certeza que não podíamos não ter tido esta filha "única e irrepetível". Por favor, tenham cuidado com o que dizem. Afinal os senhores são líderes de opinião. Melhores cumprimentos,

Francisca Prieto Representante das famílias da APPT21

 


Helena, Matosinhos. 26.03.2010 23:20  
O Dr.Luís Graça devia saber melhor o que é ter T21

É pena que os médicos saibam tanto de tantas coisas e tão poucas daquelas que deveriam saber mais...fui paciente deste Dr. quando tive a minha filha com T21. Já de várias formas tentei mostrar-lhe o quanto é maravilhoso ser mãe e ter um filho especial...mas parece que não entende. Se ele não entende como hão de entender os alunos dele? não deve ficar bem num curiiculum do médico dar à luz uma criança com T21!!!!! Deve ser por isso que eles adoram um aborto. A minha nasceu Graças a Deus porque tive essa educação, pois dependendo de alguns médicos (sim aqueles que juraram defender a vida) as crianças com um cromossoma a mais não têm esse direito....Mas as crianças normais que aos 15 anos se drogam, roubam e são um problema grande.....essas sim! Só têm 2 cromossomas! Está tudo certo! Devem ter chumbado a cadeira de ética, amor ao próximo, o que é a vida. Passaram com distinção em ABORTO 1 E ABORTO 2, O SUCESSO NA MEDICINA, AMIOCENTESE.....

 


 

Paulo Serra, Coimbra. 26.03.2010 20:23  
Irresponsabilidade social desta notícia

Sou pai de um menino com trissomia 21, o super Diogo. Sou também Presidente de uma Associação de apoio a INCLUSÃO DO CIDADÃO COM TRISSOMIA 21. olhe o outro como o outro, mas colocando-se no lugar do outro. O importante é vê-lo como um cidadão como os outros. Com direitos como todos os outros. Acredito numa sociedade inclusiva e sem preconceito onde os nossos filhos tenham uma verdadeira igualdade de oportunidades. Estes Sr. e Sr.ª não acreditam nesta ser diferente entre iguais.pois o que é ser igual? «O respeito à diferença passa por ver que estas pessoas são um outro e sendo um outro são iguais a nós»,Laborinho Lúcio. Estes Sr. não sabem o verdadeiro sentido de IGUALDADE, INTEGRAÇÃO, DIFERENÇA. Não vamos desistir pois os nossos filhos com trissomia 21 são iguais aos outros (eu tenho mais dois filhos e, para mim são exactamente iguais). E os que no futuro nascerem terão o nosso apoio.

Olhar 21


Anónimo, Lisboa.Portugal. 26.03.2010 14:14  
Para quem escreveu , colabora e concorda com estes procedimentos

Sou pai de 4 filhos, o 3º com 23 anos tem trissomia 21.Quando nasceu, não sabiamos que teria trissomia 21, nem precisava de saber, sabem a razão? Quando nasceu ás 20h30m , no dia seguinte pelas 8 da manha, foi me sugerido que seria melhor ele não viver. Se ja tinha ficado sem fala com a noticia do nascimento, pior fiquei com a sugestão. Pena é estas pessoas não perceberam, que estas crianças são uma mais valia na sociedade , e apenas dou um exemplo disto "conseguem preservar na vida inteira as virtudes que adultos já as perderam " e no caso destas pessoas que escrevem , deveriam se debruçar sobre isto para bem deles.

Joao


 

Anónimo, Sintra. 26.03.2010 09:45  
Qual é a informação???

Acabei de ler este artigo e posso dizer que há boas e más notícias. Comecemos pelas boas, os bebés com T21,provavelmente, não deixarão de nascer. Actualmente, as mães de bebés com T21 são mães jovens e, ao contário, do que aqui é dito, informadas. As más notícias: este artigo é, de facto, péssimo! Uma desinformação total. Não posso crer que um obstetra tenha dito "São basicamente mulheres que não são seguidas e que fazem apenas as três consultas de acompanhamento obrigatórias". Além de ofensivo, não correponde à verdade. Claro que, num futuro todas as mulheres poderão fazer uma amniocentese, o único teste que detecta a T21 com alguma certeza. Com a confirmação deste diagnóstico poderão fazer uma IVG. E aqui entra a desinformação, devido à enorme pressão por parte dos profissionais de saúde, mulheres desinformadas, com pouco suporte, muitas vezes optam por "livrar-se" do seu filho. Sra jornalista, sou mãe de uma menina com T21, colaboro voluntáriamente com a APPT21 e posso garantir, acrescentando mais uma boa notícia, um filho vale a pena, tenha ele ou não T21.

 




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